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quarta-feira, dezembro 01, 2010
O dia em que se celebra a Restauração da Independência ganha significado simbólico nos dias que correm. Está muito bem que lhes chamemos “nuestros hermanos”, conheço muitos irmãos que se dedicam quase profissionalmente a passar a perna uns aos outros. No entanto, por uma coincidência que deve fazer pensar, a celebração da separação entre Portugal e Espanha acontece, este ano, na véspera do anúncio da FIFA que ditará quem irá organizar o campeonato do mundo de futebol de 2018. A suposta “candidatura ibérica” – tão ibérica como as linhas aéreas espanholas ou o presunto – parece ser uma das favoritas.

Um jornalista da SIC dizia há pouco que seria histórica a vitória da proposta conjunta, uma vez que Portugal nunca organizou uma competição desta dimensão. Entristece-me que se considere histórica esta esmola vinda de Madrid, quando nada mais é senão uma humilhação extrema para o nosso país. Dos 21 estádios apresentados à FIFA, 3 são portugueses – Alvalade, Dragão e Luz. Das 18 cidades, apenas 2 são em Portugal – Lisboa e Porto. O representante da candidatura junto do comité da FIFA é espanhol. Nos últimos dias, veio a público a hipótese de tanto o jogo de abertura como a final serem jogados em território espanhol. Parece-me que não é preciso apresentar mais nada, vale?

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Damon at 3:30 p.m.

quinta-feira, novembro 11, 2010

Não está a ser fácil reabituar-me à vida em Portugal. Esforço-me todos os dias por apreciar o país. Sou bem-sucedido em certos aspectos: o rio Douro, as castanhas assadas, o jardim da minha casa, os pastéis de nata e o café. No entanto, com as devidas – muitas excepções – o facto de sermos um povo estúpido – sim, eu disse estúpido – não ajuda em nada o ex-emigrante a gostar do regresso a casa. Aqui há dias confessei que, caso tivesse muito dinheiro, compraria a floresta atrás de minha casa para a transformar num parque público. Ontem passei por lá. Fiquei satisfeito por saber que alguém, certamente um altruísta, se lembrou de lá pôr uma sanita. O primeiro passo foi dado para construir as infra-estruturas necessárias ao funcionamento do parque. Mais à frente, não querendo soar mal-agradecido mas achando que talvez seja um comodismo exagerado, reparei que alguém tinha instalado uma televisão numa clareira. À volta, todo o tipo de materiais de construção, provavelmente doados por um empresário responsável, para que construamos um abrigo para a chuva. Bonito.

E nem vale a pena referir a educação cívica dos portugueses ao volante, pois não? Alguém contesta a minha afirmação de que somos um povo estúpido (ESTÚPIDO)? Bem me parecia.

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Damon at 12:35 p.m.

terça-feira, março 09, 2010

Ando a ler um livro admirável, que me foi apresentado pelo poeta, escritor, conversador nato, Sean Street. Publico aqui estes excertos para ver se “a gente” se levanta. Debaixo da decadência evidente, há um país maravilhoso.

“When I was a kid I made myself sick on marmelada, Portuguese quince jelly. (…) Once I sneaked a gulp of port too. I thought I’d die; it tasted like bad medicine. My tastes have changed, but ever after that I wanted perversely to be Portuguese.”

“Of all the European powers they took the world in their hands the earliest, and hung onto it the longest.”

“I’d like to find out, to journey in a country which adds up to somewhere much bigger than the sum of its parts.”

Paul Hyland, “Backwards out of the big world”, Flamingo.

“Hyland’s masterly prose defines perfectly an instant in the evolution of one of Europe’s most fascinating states”

Guardian Books of the Year.

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Damon at 4:21 p.m.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Os indianos andam a entreter o mundo com as suas histórias de miséria, vendendo-as trajadas de cómicos contos, peripécias engraçadas que até parecem não ultrapassar a fantasia. Não há aqui crítica. Sou um fã assumido e perdido no tempo de Danny Boyle, gosto muito do seu “Slumdog Millionaire”, como já gostava do “Millions”, do “28 days later” e A-D-O-R-A-V-A o “Trainspotting”. Ando a ler “O Tigre Branco”, de Aravind Adiga, na mesma onda. Estou a gostar.
O meu pensamento não vai tanto na direcção da Índia e de toda a sua rica história. Tudo isto faz-me pensar no enorme potencial cómico que Portugal tem para entreter o resto do mundo. Escritores e argumentistas do nosso país, olhem à volta, para a forma de conduzir dos portugueses, para a forma como nos atendemos e desentendemos em lojas e cafés, para a assiduidade de políticos e saltimbancos no nosso parlamento, para recibos verdes e cunhas – ai as cunhas – e burrocracias e para a forma como estacionamos no lugar do deficiente e nos estamos a (…) para isso, para os autarcas pegados de estaca e para os presidentes de clubes de futebol, etc. etc. etc. Não nos falta material. Somos um saco azul carregadinho de presentes para a inspiração literária e cinematográfica dos nossos criativos.

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Damon at 5:32 p.m.