lkkk lkjhg
sexta-feira, abril 04, 2003
O terrível momento em que as celebrações deixam de fazer sentido. A terrível imagem do vazio na agenda dos sorrisos. Desculpa mas não há mais nada. Nem garantias para o futuro. Quase não há sonho. Nada para além de ti. Que se lixe o mundo. Ele não tem o teu brilho.

Damon at 9:37 da tarde

segunda-feira, março 31, 2003

As árvores e os frutos

Se as árvores são confidentes
Quadros que eu risco e magoo,
E se os seus ramos são braços
Que se recusam a abraçar-me...

Não importa,
Sou mais eu na sua companhia,
Mais alma e mais corpo e
Mais sangue e seiva e suor.

Começo a pintar folhas e frutos,
Mãos que os colhem
E que os descascam
Bocas que os mastigam,
Gargantas que os destilam em vinho acre.

Tremo na certeza da peneplanície
Que não acaba, que não sobe nem desce,
Não estou lá mas é como se estivesse,
Rodeado de vazio, à espera de ser eu
A colher os frutos,
A descascá-los,
A mastigá-los,
A beber a embriaguez sóbria das suas salivas.

Se as árvores não me falam,
Não me confortam com palavras,
São demasiado verdes e cruas
E despidas de uniforme,
Não importa,
Eu é que complico os conceitos.

Damon Durham.

Damon at 2:20 da tarde

domingo, março 30, 2003

Eu não sei falar português. Não importa, quase ninguém sabe. Quase todos julgam que os verbos são a ausência de acção, os adjectivos prejudiciais ao bom entendimento e os nomes... coisas que se atiram à cabeça do árbitro em dias de futebol. Mas eu gostava de saber falar português, iludir-me num voo ao lado de José Maria Eça de Queiroz (ou Queirós...), Fernando Pessoa Alberto Caeiro Álvaro de Campos Bernardo Soares Ricardo Reis Alexander Search (não, este último também não sabia falar português...). Mas não sei. Porque não entendo as frases que a minha televisão cantarola o dia todo, nem as imagens escritas nos olhos das pessoas que se cruzam comigo na rua e andam sempre, mesmo vendo que choro. Não sei falar português, pronto. Prontos, digo. Mesmo assim, talvez me arranjassem um lugar a jogar futebol na selecção, sei lá! A Margarida Rebelo Pinto sabe falar português. Eu não. Não fui eu que escrevi este texto. Não são minhas as palavras. Encontrei-as coladas magneticamente ao meu frigorífico e limitei-me a dar-lhes uma ordem tremendamente aleatória.

Damon at 7:10 da tarde