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quarta-feira, março 19, 2003
Cristais

Jorram cristais das fontes,
Invadem-me os lábios,
A acidez corrompe-os,
Gritam o teu nome onde não deviam.

O líquido desenha-me
Novas faces, um novo rosto,
E o outrora branco das fontes
É vermelho como o rio em que vivo.

Lembras-te de ter um ideal,
Desenhar nas nuvens o ser perfeito,
E depois rir da impossibilidade do sonho,
«Não existe ninguém assim...»

Reconheci-te no primeiro dia,
Quando as flores ainda eram verdes
E os frutos que eu colhia
Cresciam das prateleiras do supermercado.
Eras tu.
Afinal, eras tu, longe das nuvens.

Jorram cristais afiados das fontes,
Brilham e afagam-me a pele em cortes,
Sublinham o mirrar dos lábios,
O lavar dos cestos depois da vindima.
Que vindima? As uvas murchas
Como os sonhos...

Apetecia-me entender,
A sério, era esse o meu desejo,
Mas não encontro verdade na mentira,
Não há lugar para mais essa contradição no meu ideal.

Os cristais jorrarão
Até que eu me sinta
Cego e seco
Ou são e salvo.

Damon Durham.

Damon at 9:10 da tarde