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O sonho de Saramago Apaixonei-me pela escrita de Saramago depois de ler um livro que agora, com os óculos de ver ao longe, nem me parece dos melhores, chamava-se “Todos os Nomes”. Já não me faltam muitos para ter lido a obra completa, ambição que acarreta o desgosto de, lido o último, não haver mais para ler. “Jangada de Pedra” teria sido uma escolha óbvia, logo no inicio do percurso. O facto de ter visto o filme de George Sluizer atrasou o processo. Por norma, leio o livro antes de ver o filme mas o DVD estava ali à mão e a versão em papel não, por isso… Anos volvidos, resolvi que era tempo de pegar no sonho ibérico de Saramago, o registo romântico da ideia repetida inúmeras vezes em entrevistas, cá como lá. Ao mesmo tempo, um certo cepticismo relativamente a uma Europa aparentemente próxima e distante na prática também fica demonstrado, apimentado ainda pela anedota de ficar Gibraltar náufrago a ver partir o resto da jangada. É um bom livro, quanto a mim, mas não está ao nível dos extraordinários “Ensaio sobre a cegueira”, “Memorial do Convento” e mesmo “As intermitências da morte” e “A viagem do elefante”. Quis o destino que por estes dias em que me fiz ao mar à boleia de uma jangada saísse um estudo sobre a possibilidade de uma “união ibérica”. 46 % dos portugueses e 39 % dos espanhóis parecem concordar. Eu diria que essa “união”, numa versão mais amarga, com laivos de imperialismo subtil, já existe há algum tempo, desde que temos contas no Santander, compramos a roupa na Zara, pomos gasolina na Repsol, comemos peixe da Pescanova e enchemos o El Corte Inglés. Ah e pior que tudo, dobramos anúncios com uma cantiguinha à Paulo Bento. Etiquetas: a jangada de pedra, livros, saramago, união ibérica Damon at 3:36 p.m. Etiquetas: cormac mccarthy, livros, the road Damon at 5:24 p.m. Damon at 2:38 p.m. Etiquetas: ingmar bergman, livros, urinomania Damon at 8:55 p.m. “When I was a kid I made myself sick on marmelada, Portuguese quince jelly. (…) Once I sneaked a gulp of port too. I thought I’d die; it tasted like bad medicine. My tastes have changed, but ever after that I wanted perversely to be Portuguese.” “Of all the European powers they took the world in their hands the earliest, and hung onto it the longest.” “I’d like to find out, to journey in a country which adds up to somewhere much bigger than the sum of its parts.” Paul Hyland, “Backwards out of the big world”, Flamingo. “Hyland’s masterly prose defines perfectly an instant in the evolution of one of Europe’s most fascinating states” Guardian Books of the Year. Damon at 4:21 p.m. Acabei hoje de ler o livro de todas as polémicas em Portugal. Confesso que não me satisfez, não pelas ditas questões que têm aparentemente feito disparar as vendas do romance, mas pela escrita apressada que se sente a partir de certa página. Gosto muito do escritor Saramago, mesmo estando muito longe do político Saramago e a alguma distância do cidadão Saramago. Esperava mais de “Caim”. E compreendo que possa chocar os mais comprometidos com o alvo das críticas. A mim não me choca. Estava frio na praia. O que não impediu a presença de inúmeras famílias nas suas areias. E cães, muitos cães simpáticos. Vi mesmo algumas adolescentes despidas de preconceitos nadando em roupa interior naquele mar gelado. Imagem bonita. Agora, estou constipado… Outra vez. Etiquetas: bournemouth, caim, inglaterra, livros, mar, praia, saramago Damon at 6:57 p.m.
Não me apetece beber leite espanhol. Não depois do episódio insultuoso de ontem, na Galiza, onde se viram rios de leite português – e que fosse sérvio, bangladeshi ou guatemalteco – correndo em rio pela estrada fora, com a conivência – e algo mais – dos produtores da zona, que protestavam ali ao lado contra a importação desse alimento a partir do nosso país. O leite é um bem essencial, pelo qual choram milhões de pessoas por todo o mundo. Este tipo de protesto revolta-me, dá-me vontade de tudo menos de me solidarizar com os manifestantes. E em abono da verdade, é bastante frequente no nosso país vizinho. Por outro lado, imaginem o que seria se boicotássemos tudo o que importamos de Espanha?... V. S. Naipaul escreve bem que se farta – pudera, estamos a falar de um Nobel. Mas o que importa realçar é a simplicidade da sua escrita – simples, não básica. A impressão que me dá é que, em Portugal, um escritor que escreva de forma simples só é elogiado se for estrangeiro. O Eça já lá vai, agora confunde-se simplicidade com a banalidade de uma Margarida Rebelo Pinto – entre outras vedetas. Elogia-se imenso alguém que dá a volta ao texto de tal forma que mal se percebe e ainda menos se sente o que lá está. E vamos andando pelos caminhos movediços do pseudo-intelectualóidismo. Leiam “Miguel Street”. Etiquetas: leite, livros, protesto, v.s. naipaul Damon at 3:08 p.m.
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outras praias
where words come together as waves, blue and beautiful, dying in the whiteness, but repeating themselves like music notes, from sunrise to sunset to sunrise again. um livro: «Saudades de Nova Iorque», de Pedro Paixão. um filme: «Memento». um disco: «King of limbs», Radiohead. |