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Este foi um fim-de-semana James Bond. Volta e meia apetece-me o enredo ingénuo de um filme da saga mais estilosa da história do cinema. Compreendo algumas críticas ao sexismo latente do protagonista, à estrutura repetitiva, etc. Mas a verdade é que há algo de mágico naquele smoking, naqueles carros, naquela linha de baixo irresistível. Os dois filmes que vi não foram escolhidos aleatoriamente: um representa o princípio da carreira de Bond, apesar de recente, “Casino Royale”, com o mais musculado agente secreto do cinema; o outro é um filme maldito, não reconhecido como parte da família, apesar de ter como protagonista “O” James Bond, Sean Connery, que retrata os últimos dias no activo de um agente com dificuldade em manter-se em forma, e chama-se “Never say never again”. Curiosamente, nenhum dos dois filmes tem o contributo musical ímpar de John Barry, autor de quase todas as bandas sonoras de Bond, entre muitas outras melodias inesquecíveis. Estava eu a pensar nisso, no Domingo, sem saber que, no mesmo dia, em Nova Iorque, o próprio Barry dizia adeus ao mundo. A sua obra estende-se da música para cinema aos outros álbuns, menos conhecidos, como “Eternal Echoes”, indissociável para mim de um argumento que escrevi. John Barry criou algumas das melodias que me fazem fechar os olhos e imaginar-me obrigatoriamente no conforto de uma sala de cinema. Etiquetas: cinema, james bond, john barry, música Damon at 7:21 p.m.
Etiquetas: cinema, david fincher, facebook, the social network Damon at 7:08 p.m. Antes da derrota, ainda consegui ir ver “O último voo do flamingo”, de João Ribeiro, baseado num dos mais brilhantes brincalhões da língua portuguesa, Mia Couto. O meu interesse pela obra do escritor moçambicano foi o principal motivo para ir ver o filme. Gostei de ver o excelente trabalho dos actores, quase todos desconhecidos. Alguns efeitos especiais eram dispensáveis porque pouco convincentes, mas não se pode ter tudo. Ando a construir pequenos vídeos para o Festival Literário de Poole, em Inglaterra. Não sei muito bem quantos, porque ainda não me disseram quanto tempo vou ter, nem que meios. É uma sensação familiar, para um português. Etiquetas: cinema, constipação, mia couto, o último voo do flamingo, tensões Damon at 6:29 p.m. O filme faz todo o sentido. O timing é perfeito, é a altura ideal para olhar para trás, particularmente para as décadas referidas. Numa época em que há tanta gente a ouvir La Roux sem saber quem foram os New Order, a usar malas retro, acessórios retro, a conduzir carros retro, faz todo o sentido. Acima de tudo, realça-se o sentido de humor, o cinismo com que a já referida nostalgia é tratada. Saudável. Muito saudável. E Pedro Ribeiro, acertaste na mouche (o meu Word quer que eu ponha “acertaste na mousse”, vá-se lá saber porquê), o Pisang Ambon fazia mesmo lembrar Tantum Verde. Resta esperar que uma obra destas tenha espaço e tempo de divulgação. Abaixo, está o trailer. Lá mesmo à beirinha, depois de clicarem, estará o filme, em duas partes. trailer do documentário "Uma na Bravo Outra na Ditadura" from Andre Valentim Almeida on Vimeo. Etiquetas: andré valentim almeida, cinema, documentário, uma na bravo outra na ditadura Damon at 6:45 p.m. ![]() É assim. As pessoas, tal como os frascos de molho. O conselho do mundo dos adultos é: rejeitar se o botão central – onde quer que ele seja – estiver deprimido. No mundo dos adultos, as pessoas tristes são objectos indesejados, impróprios para consumo. Se entretanto saírem desse estado, então tudo bem, o que interessa é que riam e sobretudo façam rir. As pessoas no mundo dos adultos tal como os frascos de molho – baratos, práticos, descartáveis. Vou continuar a ver o “Where the wild things are” para aprender com as crianças, os monstros cabeçudos e o Spike Jonze que, no fundo, é uma mistura dos dois. Etiquetas: cinema, desabafos, inglaterra, molho, pessoas, where the wild things are Damon at 7:16 p.m. Etiquetas: 500 days of summer, cinema Damon at 2:56 p.m. O meu pensamento não vai tanto na direcção da Índia e de toda a sua rica história. Tudo isto faz-me pensar no enorme potencial cómico que Portugal tem para entreter o resto do mundo. Escritores e argumentistas do nosso país, olhem à volta, para a forma de conduzir dos portugueses, para a forma como nos atendemos e desentendemos em lojas e cafés, para a assiduidade de políticos e saltimbancos no nosso parlamento, para recibos verdes e cunhas – ai as cunhas – e burrocracias e para a forma como estacionamos no lugar do deficiente e nos estamos a (…) para isso, para os autarcas pegados de estaca e para os presidentes de clubes de futebol, etc. etc. etc. Não nos falta material. Somos um saco azul carregadinho de presentes para a inspiração literária e cinematográfica dos nossos criativos. Etiquetas: cinema, india, literatura, portugal Damon at 5:32 p.m. Etiquetas: cinema, música, viver Damon at 10:03 p.m. Vou enviar para Inglaterra o DVD que marcou aqueles meses de 2004. Que saudades das filmagens na Afurada, no Palácio de Cristal (schhhiu, clandestinas), na estação de comboios abandonada… Tem um cheirinho a adrenalina bem aplicada, esta curta-metragem, pioneira dos vencedores do LSI Dourado… Vai servir de amostra de tempos (bem) passados, lá em Bournemouth. Com o DVD, vão estes três seres estranhíssimos da fotografia, o Bum, a Bella e o Basil, bem como o sensível Manel, o terrível Inverno, a fria Luísa, o frustrado Graham, e muitos outros… Esperemos que eles sejam “sensíveis”, se percebem a ideia… Etiquetas: cinema, homens sensíveis Damon at 11:00 p.m.
“Reviver o Passado em Brideshead” é uma história complexa, polémica para a época, mas também, na minha opinião, um dos melhores textos jamais escritos. Evelyn Waugh, que era um homem e sim, Evelyn era mesmo o seu nome, apesar de criticado por George Orwell ou Martin Amis, teve em “Brideshead Revisited” uma obra-prima, a meu ver. O filme, com o “fininho” Matthew Goode, a orgulhosamente avantajada descoberta de Woody Allen (à falta de Scarlett), Hayley Atwell e a irrepreensível Emma Thompson, está bem feito, os actores são os bons novos pupilos da melhor escola do mundo na arte de representar, em particular, papéis de época. Então, o que levou um senhor chamado Luís Zanguineto a vir à baila e de forma tão veementemente nauseabunda (bela junção de palavras caras)? Conhecem a sensação de, num jogo de futebol bem jogado, entre duas grandes equipas, aparecer um árbitro (português, pois claro) que, com a sua mediocridade, arruína o espectáculo? Pois bem, o senhor Zanguineto não é árbitro, mas teve o mesmo efeito sob o filme de Julian Jarrold. O senhor Zanguineto é um pseudo-tradutor que fez a maior borrada da História do cinema, pelo menos, dos filmes que eu vi, e já são alguns. Do princípio ao fim, sucedem-se erros em português (“conheçes”, “fizes-te”, etc.) mas também traduções fabulosas como “Parado, eu sei o que fizeste” para “Still, I know what you’ve done”. As frases não são exactamente estas, mas garanto a semelhança. Talvez noutros tempos eu desculpasse mais facilmente o senhor Zanguineto, vá, teve um dia mau, a mulher trocou-o por outra, o gato deitou-lhe abaixo a pilha de cd’s “Romantic Ballads”… Mas, sabe, senhor Zanguineto, a vida está difícil, e eu tenho amigos que estão desempregados. Um deles é tradutor. E competente. Etiquetas: cinema, reviver o passado em brideshead, tradução Damon at 11:20 a.m.
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outras praias
where words come together as waves, blue and beautiful, dying in the whiteness, but repeating themselves like music notes, from sunrise to sunset to sunrise again. um livro: «Saudades de Nova Iorque», de Pedro Paixão. um filme: «Memento». um disco: «King of limbs», Radiohead. |