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segunda-feira, janeiro 31, 2011
Este foi um fim-de-semana James Bond. Volta e meia apetece-me o enredo ingénuo de um filme da saga mais estilosa da história do cinema. Compreendo algumas críticas ao sexismo latente do protagonista, à estrutura repetitiva, etc. Mas a verdade é que há algo de mágico naquele smoking, naqueles carros, naquela linha de baixo irresistível.

Os dois filmes que vi não foram escolhidos aleatoriamente: um representa o princípio da carreira de Bond, apesar de recente, “Casino Royale”, com o mais musculado agente secreto do cinema; o outro é um filme maldito, não reconhecido como parte da família, apesar de ter como protagonista “O” James Bond, Sean Connery, que retrata os últimos dias no activo de um agente com dificuldade em manter-se em forma, e chama-se “Never say never again”.

Curiosamente, nenhum dos dois filmes tem o contributo musical ímpar de John Barry, autor de quase todas as bandas sonoras de Bond, entre muitas outras melodias inesquecíveis. Estava eu a pensar nisso, no Domingo, sem saber que, no mesmo dia, em Nova Iorque, o próprio Barry dizia adeus ao mundo. A sua obra estende-se da música para cinema aos outros álbuns, menos conhecidos, como “Eternal Echoes”, indissociável para mim de um argumento que escrevi.

John Barry criou algumas das melodias que me fazem fechar os olhos e imaginar-me obrigatoriamente no conforto de uma sala de cinema.

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Damon at 7:21 p.m.

terça-feira, novembro 09, 2010

Algumas pessoas surpreenderam-se perante o meu interesse no filme “A Rede Social” (“The Social Network”) de David Fincher. A verdade é que a insistência em não ter a minha cara no facebook me aguçou ainda mais a curiosidade. A assinatura do brilhante Fincher ajudou à festa, claro. O fenómeno aparece no filme tal como eu o imaginava: algo que começou pura e simplesmente como uma maneira fútil de mostrar caras, comparando-as e atribuindo pontuações a cada uma delas. O progresso fulminante de Zuckerberg e amigos (?) começa por ser difícil de acompanhar, tal a velocidade a que a acção se desenrola mas mais uma vez retrata na perfeição o que se passou na realidade. O trabalho dos actores é bom, em geral, sem ser extraordinário. Apesar de ter gostado, nem por isso mudei de ideias: vou continuar out…

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Damon at 7:08 p.m.

sábado, setembro 25, 2010

A tradicional constipação de Setembro vem como um “ai” bem pronunciado. Estou habituado a que venha e goste tanto disto por aqui que fique sempre por algum – demasiado – tempo. E qualquer sopro inocente me atira para a cama, indiferente a chá ou ben-u-ron. Por outro lado, as tensões perigosamente altas vêm como um “eh, pá”, que não é o gelado da Olá, a não ser que seja engolido todo de uma vez, sem mastigar, com a pastilha elástica manhosa e tudo.

Antes da derrota, ainda consegui ir ver “O último voo do flamingo”, de João Ribeiro, baseado num dos mais brilhantes brincalhões da língua portuguesa, Mia Couto. O meu interesse pela obra do escritor moçambicano foi o principal motivo para ir ver o filme. Gostei de ver o excelente trabalho dos actores, quase todos desconhecidos. Alguns efeitos especiais eram dispensáveis porque pouco convincentes, mas não se pode ter tudo.

Ando a construir pequenos vídeos para o Festival Literário de Poole, em Inglaterra. Não sei muito bem quantos, porque ainda não me disseram quanto tempo vou ter, nem que meios. É uma sensação familiar, para um português.

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Damon at 6:29 p.m.

sexta-feira, julho 30, 2010

O documentário “Uma na Bravo Outra na Ditadura”, do meu antigo professor (isto fá-lo parecer velho, mas não é…) André Valentim Almeida é uma agradável experiência. Quando comecei a vê-lo, percebi que se referia a uma geração criada ainda na década de 70. E refere. Mas o que eu não pensei era que eu – ingenuamente a encaminhar o meu ano de nascimento, 1980, para o futuro – tivesse tanto a ver com as pessoas entrevistadas, com os ambientes descritos e os hábitos que agora me parecem rituais de acasalamento dos dinossauros (‘tá bem, se calhar é “dinossáurios” mas não gosto do som). Revi-me num sem número de pormenores nostálgicos – sim, somos mesmo assim – e fealdades fabulosas e genuínas, pelo menos mais genuínas do que o tempo presente. Qual Facebook, qual carapuça!

O filme faz todo o sentido. O timing é perfeito, é a altura ideal para olhar para trás, particularmente para as décadas referidas. Numa época em que há tanta gente a ouvir La Roux sem saber quem foram os New Order, a usar malas retro, acessórios retro, a conduzir carros retro, faz todo o sentido. Acima de tudo, realça-se o sentido de humor, o cinismo com que a já referida nostalgia é tratada. Saudável. Muito saudável. E Pedro Ribeiro, acertaste na mouche (o meu Word quer que eu ponha “acertaste na mousse”, vá-se lá saber porquê), o Pisang Ambon fazia mesmo lembrar Tantum Verde.

Resta esperar que uma obra destas tenha espaço e tempo de divulgação.

Abaixo, está o trailer. Lá mesmo à beirinha, depois de clicarem, estará o filme, em duas partes.

trailer do documentário "Uma na Bravo Outra na Ditadura" from Andre Valentim Almeida on Vimeo.

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Damon at 6:45 p.m.

segunda-feira, julho 26, 2010



É assim. As pessoas, tal como os frascos de molho. O conselho do mundo dos adultos é: rejeitar se o botão central – onde quer que ele seja – estiver deprimido. No mundo dos adultos, as pessoas tristes são objectos indesejados, impróprios para consumo. Se entretanto saírem desse estado, então tudo bem, o que interessa é que riam e sobretudo façam rir. As pessoas no mundo dos adultos tal como os frascos de molho – baratos, práticos, descartáveis. Vou continuar a ver o “Where the wild things are” para aprender com as crianças, os monstros cabeçudos e o Spike Jonze que, no fundo, é uma mistura dos dois.

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Damon at 7:16 p.m.

domingo, julho 25, 2010

Há filmes de que se gosta. Depois, há filmes de que se gosta e que imediatamente ganham o direito a um pionés no mapa da compilação das nossas vidas. “(500) days of Summer” é um desses casos. Para além de estar extraordinariamente bem escrito; meticulosamente realizado; ter referências dignas de aplauso, em particular aos Smiths e aos Belle and Sebastian; contar com as muito credíveis prestações de Zooey Deschanel e de Joseph-Gordon Levitt, fez-me pensar. Demasiado, talvez. Comoveu-me. Demasiado, de certeza. Fez-me ter saudades de certos e determinados momentos – as incertas e indeterminadas coisas da vida. E pronto, ganhou direitos especiais na minha sala de cinema. Brilhante.

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Damon at 2:56 p.m.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Os indianos andam a entreter o mundo com as suas histórias de miséria, vendendo-as trajadas de cómicos contos, peripécias engraçadas que até parecem não ultrapassar a fantasia. Não há aqui crítica. Sou um fã assumido e perdido no tempo de Danny Boyle, gosto muito do seu “Slumdog Millionaire”, como já gostava do “Millions”, do “28 days later” e A-D-O-R-A-V-A o “Trainspotting”. Ando a ler “O Tigre Branco”, de Aravind Adiga, na mesma onda. Estou a gostar.
O meu pensamento não vai tanto na direcção da Índia e de toda a sua rica história. Tudo isto faz-me pensar no enorme potencial cómico que Portugal tem para entreter o resto do mundo. Escritores e argumentistas do nosso país, olhem à volta, para a forma de conduzir dos portugueses, para a forma como nos atendemos e desentendemos em lojas e cafés, para a assiduidade de políticos e saltimbancos no nosso parlamento, para recibos verdes e cunhas – ai as cunhas – e burrocracias e para a forma como estacionamos no lugar do deficiente e nos estamos a (…) para isso, para os autarcas pegados de estaca e para os presidentes de clubes de futebol, etc. etc. etc. Não nos falta material. Somos um saco azul carregadinho de presentes para a inspiração literária e cinematográfica dos nossos criativos.

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Damon at 5:32 p.m.

domingo, maio 03, 2009

Viver, às vezes, é ligar a ventoinha a um nível aceitável, apagar as luzes e ouvir a "Gran Torino", pela dupla improvável Jamie Cullum - Clint Eastwood. Que grande filme... Que grande canção...

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Damon at 10:03 p.m.

domingo, março 15, 2009



Vou enviar para Inglaterra o DVD que marcou aqueles meses de 2004. Que saudades das filmagens na Afurada, no Palácio de Cristal (schhhiu, clandestinas), na estação de comboios abandonada… Tem um cheirinho a adrenalina bem aplicada, esta curta-metragem, pioneira dos vencedores do LSI Dourado… Vai servir de amostra de tempos (bem) passados, lá em Bournemouth. Com o DVD, vão estes três seres estranhíssimos da fotografia, o Bum, a Bella e o Basil, bem como o sensível Manel, o terrível Inverno, a fria Luísa, o frustrado Graham, e muitos outros… Esperemos que eles sejam “sensíveis”, se percebem a ideia…

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Damon at 11:00 p.m.

quarta-feira, novembro 26, 2008

canção do momento: kaiser chiefs, "try your best"



“Reviver o Passado em Brideshead” é uma história complexa, polémica para a época, mas também, na minha opinião, um dos melhores textos jamais escritos. Evelyn Waugh, que era um homem e sim, Evelyn era mesmo o seu nome, apesar de criticado por George Orwell ou Martin Amis, teve em “Brideshead Revisited” uma obra-prima, a meu ver.

O filme, com o “fininho” Matthew Goode, a orgulhosamente avantajada descoberta de Woody Allen (à falta de Scarlett), Hayley Atwell e a irrepreensível Emma Thompson, está bem feito, os actores são os bons novos pupilos da melhor escola do mundo na arte de representar, em particular, papéis de época.

Então, o que levou um senhor chamado Luís Zanguineto a vir à baila e de forma tão veementemente nauseabunda (bela junção de palavras caras)? Conhecem a sensação de, num jogo de futebol bem jogado, entre duas grandes equipas, aparecer um árbitro (português, pois claro) que, com a sua mediocridade, arruína o espectáculo? Pois bem, o senhor Zanguineto não é árbitro, mas teve o mesmo efeito sob o filme de Julian Jarrold. O senhor Zanguineto é um pseudo-tradutor que fez a maior borrada da História do cinema, pelo menos, dos filmes que eu vi, e já são alguns. Do princípio ao fim, sucedem-se erros em português (“conheçes”, “fizes-te”, etc.) mas também traduções fabulosas como “Parado, eu sei o que fizeste” para “Still, I know what you’ve done”. As frases não são exactamente estas, mas garanto a semelhança.

Talvez noutros tempos eu desculpasse mais facilmente o senhor Zanguineto, vá, teve um dia mau, a mulher trocou-o por outra, o gato deitou-lhe abaixo a pilha de cd’s “Romantic Ballads”… Mas, sabe, senhor Zanguineto, a vida está difícil, e eu tenho amigos que estão desempregados. Um deles é tradutor. E competente.

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Damon at 11:20 a.m.