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quinta-feira, junho 02, 2011
Haverá sangue

Muito se tem falado acerca da ousadia do programa que o Bruno Nogueira escreveu para o horário nobre da RTP. Para mim, a única dúvida acerca d’ “O último a sair” prende-se com a escolha de horário, nada mais. Sendo que o meu eterno exemplo de serviço público de televisão se chama BBC, um horizonte longínquo para a nossa emissora, posso dizer que já lá vi coisas bem mais ousadas, mas mais tarde.

Mas a questão aqui é outra: gostava de ver essas mesmas pessoas, chocadas com o facto de haver crianças a ver o pirilau do Gonçalo Waddington logo a seguir ao jantar, pronunciarem-se acerca da muito anunciada transmissão em directo de mais uma “corrida de toiros”, em horário dito nobre, – lá se vai a nobreza, pelo menos, enquanto característica – com imagens bem mais violentas do que qualquer uma proporcionada pelo Gonçalo (e mesmo que fosse o Roberto Leal). Será que não os incomoda a lição que a televisão pública está a dar às mesmas crianças? Sendo serviço público, a RTP tem obrigação de, mais do que preocupar-se com a mesquinhez das audiências, educar e civilizar um povo com tanto ainda para aprender. Mas há um lobby inexplicável, como em tantos outros sectores da sociedade. E continuamos nisto.

Esta situação faz-me lembrar aqueles estados americanos onde um adolescente não pode comprar uma lata de cerveja mas pode comprar uma arma.

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Damon at 11:53 a.m.

quarta-feira, julho 28, 2010

A Região Autónoma da Catalunha proibiu as touradas naquela província. Convenhamos que estes nossos vizinhos - não me atrevo a chamar-lhes "espanhóis" para não ferir susceptibilidades - têm coragem que chegue para os dois lados da fronteira. Atitude louvável e marcante. Esperemos que os ventos cheguem até zonas como Barrancos. E já agora à Assembleia da República.

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Damon at 6:47 p.m.

quarta-feira, novembro 11, 2009

Robert Enke: um grande guarda-redes, um grande homem



Há surpresas destas. Más, muito más. Quando a minha mãe, ao telefone, me deu a notícia da morte macabra do ex-guarda-redes do Benfica, fiquei sinceramente emocionado. Não porque o admirava como jogador, que chegou com a difícil tarefa de substituir o insubstituível Michel Preud’homme, e logo me convenceu, apesar da juventude. Sim porque sei que era um óptimo exemplar da espécie humana, daqueles raros exemplos de generosidade, principalmente num tema que me toca em particular: os animais vítimas de abandono. Na altura em que jogava no Benfica, Enke abriu um abrigo para animais abandonados, em Lisboa. Foi disso que ouvi falar, nunca de excentricidades malucas ou arrogância, como acontece regularmente com jogadores de futebol iludidos pela fama e pelo dinheiro. Depois de perder uma filha, Enke não aguentou a pressão, mesmo com a possibilidade bastante evidente de representar a sua selecção no Mundial do próximo ano. O comboio que o colheu levou com ele uma vida de respeito. Espero que o meu clube não me desiluda e lhe faça a devida homenagem.

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Damon at 9:39 p.m.

segunda-feira, outubro 26, 2009

Saí de casa e fiz o que há muito pretendia fazer. Caminhei até à loja que ajuda animais feridos ou abandonados. Chamam-lhes “Charity Shops” aqui, e há imensas nesta rua. Quem me conhece sabe o quanto sou sensível a todas as questões que empreguem a palavra “solidariedade”. Escolhi os animais porque os adoro, porque são seres inocentes, sem culpa de estarem nas mãos de uma espécie tantas vezes primitiva – no mau sentido. Estou habituado, neste país onde tudo é caro, a ficar de consciência pesada de cada vez que gasto dinheiro. Neste caso, entrei, comprei várias coisas bonitas e saí a sentir-me bem comigo próprio. É uma sensação que todos deviam experimentar de vez em quando – gastar sem desperdiçar.

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Damon at 4:50 p.m.

domingo, agosto 16, 2009

Sem querer fazer deste espaço um obituário permanente, não posso deixar de notar que, depois de Sir Bobby Robson, mais um admirável senhor de enorme sorriso nos deixou – cedo demais como sempre seria. Raúl Solnado foi mestre do riso mas foi acima de tudo um grande homem com um GRANDE actor dentro dele.

O Benfica entrou no campeonato com as pernas tortas. Não que tenha jogado mal. Não que tenha jogado muito bem. Não vale a pena arranjar desculpas, mas é um facto que os jogadores do Marítimo são extremamente frágeis, vem uma brisa e desequilibram-se. Isto ainda agora começa e já promete, principalmente grandes anti-jogos de futebol sem brilho.

AJUDEM A UNIÃO ZOÓFILA. Em boa hora reparei nestes anúncios em plena Lisboa, logo gravei o número no meu telemóvel e agora posso – e podemos todos – aos bocadinhos – por uns míseros 60 cêntimos dar uma refeição a um animal abandonado. Não custa – quase – nada.
760 501 015

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Damon at 11:35 p.m.

sexta-feira, maio 15, 2009

Os amigos movem-se. Mesmo quando sou eu que me movo, há uma ilusão de sentidos que faz com que aqueles que permanecem, aparentemente se afastem. Como o nosso comboio estacionado na linha parece andar quando é o veículo da linha ao lado que inicia a marcha. Os amigos movem-se porque têm vida, daí que não se atirem pedras, não se culpe ninguém, são as vicississississitudes… E há sempre o medo inegável de que não fiquem. Ou melhor, de que não mantenham o seu estatuto, porque a distância é inimiga da nitidez, há imagens que têm tendência a diluir-se até desaparecerem. Não nego esse medo precoce – ainda falta um verão inteiro pela frente – mas não quero com isto mostrar falta de confiança nesses amigos. Pelo contrário. Do que eu tenho mais receio é da minha inexistência sem a sua presença – tão cobarde que eu sou. Os amigos movem-se. Movem-me. Tocam-me. Mais do que ninguém.

E os amigos são também estes inocentes bichos que adoro e que me adoram de uma forma totalmente inocente, porque inconsciente. Vi parte do debate na SIC. Não o suficiente para tirar conclusões que não tivesse já tirado. Mas ainda fico chocado com a podridão humana. Obrigado, Rodrigo Guedes de Carvalho, por trazer o tema à baila, a bem de uma humanidade desejosa de evolução.

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Damon at 12:32 a.m.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Já me tinham falado do blog, mas confesso que ainda não o tinha ido ver. Sinto-me envergonhado por isso. Iniciativas como esta são louváveis em todos os sentidos e merecem ser apadrinhadas. Por favor, ajudem as meninas do Pintas com Pinta a melhorar a vida de - pelo menos - alguns animais menos afortunados.

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Damon at 11:22 a.m.