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quinta-feira, junho 02, 2011
Haverá sangue

Muito se tem falado acerca da ousadia do programa que o Bruno Nogueira escreveu para o horário nobre da RTP. Para mim, a única dúvida acerca d’ “O último a sair” prende-se com a escolha de horário, nada mais. Sendo que o meu eterno exemplo de serviço público de televisão se chama BBC, um horizonte longínquo para a nossa emissora, posso dizer que já lá vi coisas bem mais ousadas, mas mais tarde.

Mas a questão aqui é outra: gostava de ver essas mesmas pessoas, chocadas com o facto de haver crianças a ver o pirilau do Gonçalo Waddington logo a seguir ao jantar, pronunciarem-se acerca da muito anunciada transmissão em directo de mais uma “corrida de toiros”, em horário dito nobre, – lá se vai a nobreza, pelo menos, enquanto característica – com imagens bem mais violentas do que qualquer uma proporcionada pelo Gonçalo (e mesmo que fosse o Roberto Leal). Será que não os incomoda a lição que a televisão pública está a dar às mesmas crianças? Sendo serviço público, a RTP tem obrigação de, mais do que preocupar-se com a mesquinhez das audiências, educar e civilizar um povo com tanto ainda para aprender. Mas há um lobby inexplicável, como em tantos outros sectores da sociedade. E continuamos nisto.

Esta situação faz-me lembrar aqueles estados americanos onde um adolescente não pode comprar uma lata de cerveja mas pode comprar uma arma.

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Damon at 11:53 a.m.

domingo, agosto 29, 2010

Vi hoje o último episódio – atrasado – de uma série fenomenal, praticamente desconhecida em Portugal. Da BBC, claro, uma redundância das palavras “série” e “fenomenal”. Oito temporadas de puro drama. “Waking the Dead” deu algum tempo no canal BBC Prime, entretanto o AXN também transmitiu com pouca publicidade as aventuras do detective Peter Boyd. A história nunca foi nada de muito original – mais uma série de polícias? – mas dois factores contribuíram decisivamente para a magia destes 82 episódios: as prestações inesquecíveis de dois actores demasiado subvalorizados fora de Inglaterra, Trevor Eve e Sue Johnston. Tornei-me viciado na série a partir do dia em que, por acidente, me vi fechado no quarto de um hotel em Manchester, com uma intoxicação alimentar. O que me atraiu nessa altura foi a presença de uma cara conhecida nos dois episódios dessa história: Beatriz Batarda.

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Damon at 11:45 p.m.

domingo, maio 30, 2010

Lost without you



As séries, ao contrário dos filmes, são muito mais do que instantâneos que se guardam na gaveta depois de vistos uma vez. Duas, três, quatro, que seja. Continuam a ser memórias isoladas. As séries tornam-se hábitos, rotinas como o café dos domingos de manhã ou a ida ao bar, à sexta à noite. Isso acontece mesmo que as vejamos de uma assentada e não esperando pela tradicional transmissão televisiva. Seis temporadas equivalem a muitas horas, acima de tudo a uma ilusão de cumplicidade extraordinária. Não fosse uma – desejável – racionalidade a relativizar as coisas, e o fim do Lost equivaleria a uma amarga despedida de muitos amigos chegados. Claro que entretanto outras séries tomarão o seu lugar e rapidamente me habituarei a “sair” com outras pessoas, noutros sítios, com outros temas de conversa.

Ao longo da série, houve – como é normal em qualquer um – personagens que fui sentindo mais próximas, por razões diferentes: pelo carácter, pela beleza, pela qualidade do actor ou da actriz. Por estes e por outros motivos dificilmente explicáveis sem a ajuda de um psicanalista, o Locke, o Sawyer, o Ben Linus, o Desmond e – claro – a Kate destacaram-se das outras, mesmo tendo em conta o inegável talento do Matthew Fox (Jack) ou do Naveen Andrews (Sayid). Aos actores que deram vida a todas estas personagens, espero vê-los em breve noutras paragens. Mesmo correndo o risco de os confundir com os passageiros do voo Oceanic 815 e consequentes conhecimentos.

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Damon at 6:04 p.m.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Que o João Fernando Ramos é um pivô medíocre, isso não é novidade, mas quando o apresentador do Jornal da Tarde da RTP1 resolve dar uma notícia como a da realização de mais uma tourada de morte em barrancos afirmando, com o seu desajustado sorriso nos lábios, “há contestação mas os aficionados não estão nada preocupados”, consegue roçar o insulto. A televisão pública continua, aliás, a pactuar de forma - direi mesmo - desonesta com a organização de eventos sanguinários, que em nada prestigiam um suposto serviço público cujo primordial objectivo deveria ser o de civilizar as pessoas. No entanto, bastaria ver cinco minutos dos estupidificantes programas da manhã – e nesse caso, não que os dos outros canais sejam melhores – para perceber que “serviço público” é coisa de glossário do tempo em que ainda se pediam “cimbalinos” e se dizia “por obséquio”.

A suspensão do Jornal Nacional de Manuela Moura Guedes é, acima de todas as suspeitas que possam existir, uma bênção para os amantes do jornalismo. A TVI aliás não faz jornalismo, apenas se limita a prolongar o longuíssimo departamento de ficção. Olha, porque não pôr a Mariana Monteiro a apresentar o Jornal Nacional? O conteúdo era o mesmo e o espaço “noticioso” ganhava contornos bem mais… aprazíveis…

Gosto muito de bebés. E normalmente os bebés gostam de mim, tenho que admitir. Mas também devo confessar que ultimamente tenho receio de olhar para eles e sorrir. Isto anda tudo viciado e, com ou sem razão, há pais que já nem isso toleram. O que está mal é que isso geralmente só se aplica quando somos nós, homens, a tomar a iniciativa. Pergunto eu: não há mulheres mal-intencionadas?

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Damon at 12:20 a.m.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

canção do momento: pulp featuring nick cave, «disco 2000»



Hoje é um belo dia porque hoje é o dia do primeiro episódio da quarta temporada do House na TVI!!! Alegrem-se cínicos, mal-barbeados e coxos, a saúde volta a entreter-nos depois das chamadas entre o INEM e os bombeiros... Vicodin! Vicodin! Vicodin!

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Damon at 7:44 p.m.